United We Stand, United We Fall

Esta matéria foi vinculada, na íntegra, na minha revista online ZINT, sendo compartilhada aqui apenas em parte. Para lê-la completa, um Especial de 22 páginas, basta utilizar o player no final da postagem.


Nota do Editor: Esse texto é contém sérios spoilers! Se você não assistiu, pelo menos, Homem de Aço, aconselho não seguir a leitura a partir dos filmes live-action.


Visto pela primeira vez em 1960, a Liga da Justiça é uma das mais famosas equipes de super herói do mundo. Criada pela DC Comics durante a conhecida “Era de Prata” dos quadrinhos, a Liga é constituída por diversos personagens dos quadrinhos, tendo o Super Homem, Mulher-Maravilha e Batman como os membros honorários do time, levando o título de capitães.

Ao longo de seus mais de 50 anos de existência, a Liga já contou com algumas formações diferentes, desenhos animados, animações, séries de tv em live-action e, em 2017, o seu primeiro filme com atores reais, como parte do Universo da DC.


Bem Vindos à Terra-1

Quando apareceu nos quadrinhos, em 1960, na edição #28 da série de quadrinhos O Bravo e o Audaz, a Liga da Justiça da América (LJA) nasceu como uma versão Terra-1 de uma outra equipe de heróis conhecida como a Sociedade da Justiça da América, que patrulhada o mundo na Terra-2. A “versão alternativa” original reunia versões originais de personagens como o Lanterna Verde e o Flash, enquanto os outros membros eram heróis como Sr. Destino, Homem-Hora, Gavião Negro e Espectro. Os quadrinhos, embora populares durante seus anos iniciais, em 1940, acabaram sendo cancelados em 1951, colocando um fim na equipe, que dez anos depois teve alguns de seus membros repaginados e colocados como parte da Liga, na Terra-1.

Com a sua primeira aparição, a Liga foi então formada pela Mulher-Maravilha, Superman, Batman, Flash, Aquaman, Lanterna Verde e Ajax, o Caçador de Marte, fazendo deles os “Sete Magníficos” e vindo a ganhar o primeiro volume de sua série de quadrinhos já em novembro de 1960. É, entre eles, que está a famosa Trindade, formada pelos três super-heróis mais famosos da DC como um todo: Maravilha, Super e Bat.

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Superamigos

Um dos desenhos animados de super-heróis mais famosos do mundo real é Superamigos. Criado pela Hanna-Barbera, o piloto foi ao ar em 1973 pelo canal norte-americano ABC. O desenho aproveitava do sucesso da equipe e trazia diversos membros da Liga em aventuras semanais , que duraram 109 episódios ao longo de nove temporadas, indo ao ar ao longo de 13 anos.

A série animada trouxe os Sete Magníficos ao lado de personagens como a Mulher-Gavião, os icônicos Supergêmeos e Arqueiro Verde, além da super-equipe de vilões conhecida como Legião do Mal. Entre os seus membros malígnos estavam Lex Luthor, Gorilla Grodd, Brainiac, Charada, Espantalho, Bizarro e Solomon Grundy, misturando, assim, os antagonistas dos diferentes arcos de personagens que se uniam aos Superamigos.

 

Sem Limites

Foi apenas em 2001 que a Liga voltou a ganhar um desenho animado próprio, 15 anos após o fim do Superamigos. Liga da Justiça foi ao ar pelo Cartoon Network até 2004, durando duas temporadas e contendo 52 episódios, com episódios de 20 minutos, indo ao ar semanalmente.

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Universo Animado

Enquanto o universo cinematográfico da DC não aparecia, a empresa começou um universo animado de seus personagens, focando, especialmente, na Liga e em seus membros. O primeiro filme animado do Universo foi em 2008, com o Liga da Justiça: A Nova Fronteira, adaptado de um quadrinho de mesmo nome, sendo bem recebido pela crítica.

Logo em seguida, em 2010, veio o Liga da Justiça: Crise em Duas Terras. A animação tinha surgido, inicialmente, em 2004, como uma ponte entre as séries animadas Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites, sendo então retrabalhado para retirar as referências, devido à grande demora de lançamento. Também baseado em um quadrinho, o filme também ganhou críticas positivas e ganhou uma sequência intitulada Liga da Justiça: A Legião do Mal, em 2012.

A franquia animada seguiu com Liga da Justiça: A Guerra (2011) e a sequência Liga da Justiça: O Trono de Atlantis (2015), Liga da Justiça: Ponto de Ignição (2013), Liga da Justiça: Deuses e Monstros (2015) e Liga da Justiça vs. Jovens Titãs (2016).

 

Smallville

Embora não seja um dos mais amados produtos live-action dos fãs, a série Smallville, da The CW, é uma importante marca para a adaptação da Super Equipe para o mundo de carne osso. Com Tom Welling no corpo de Clark Kent, o Superboy, o programa seguia a adolescência do kryptoniano.  A nomeclatura Super Homem nunca chegou a ser usada para designar Clark, uma vez que a história era focada no background do heróis antes de tornar o fio de esperança da humanidade.

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Liga da Justiça: Mortal

Um ano antes da Marvel Studios dar o pontapé em seu próprio Universo Extendido Cinematográfico, com Homem de Ferro (2008),a DC deu início à produção de Justice League Mortal. O filme seria dirigido por George Miller, responsável pela franquia Mad Max, e traria, pela primeira vez na história, toda a Liga da Justiça reunida.

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O filme, no entanto, foi cancelado logo depois. Um documentário sobre a turbulenta produção do filme, com filmagens exclusivas da pré-produção e todas as artes conceituais que foram usadas para projetar o filme, foi anunciado para 2016, mas nunca chegou a ser lançado. Pôster de divulgações foram liberados ainda em 2015.

 

Action!

Foram necessários 10 anos para a Liga voltar para a televisão. Com episódios de 15 minutos, Justice League Action estreou em 2016 na Cartoon Network. Com uma temporada até então, a série animada já conta com 45 episódios exibidos (o último irá ao ar em janeiro de 2018), exibidos semanalmente pelo canal norte-americano.

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Junte-se à Liga

Quando em 2014 o CEO da Warner BrosKevin Tsujihara confirmou a lista de filmes da DC Comics marcados para produção até o ano de 2020, foi impossível não se animar com as informações reveladas. Apesar de, até aquele momento (e talvez até hoje), a Marvel estar nadando de braçadas no mercado, os anúncios da Warner prometiam uma construção de universo compartilhado com os maiores heróis da editora, sendo que alguns deles são os personagens mais conhecidos da história.

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O ano de 2017 foi marcado de novidades para o filme, boas e ruins. 

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Os momentos pré estreia de Liga também foi marcado pelo anúncio mais chocante da franquia: devido o suicídio de sua filha, Zack Snyder se distanciou da pós-produção do filme, colocando-os na mão de Joss Whedon. A notícia pegou o mundo de surpresa, tanto pela tragédia familiar quanto pela presença de Whedon no Universo DC, uma vez que o cineasta foi responsável por estabelecer o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla original), e ter dirigido Os Vingadores (2012).

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As refilmagens de Liga, natural em todo e qualquer filme de grande produção, também geraram polêmicas e notícias para o mundo do entretenimento. Não só as regravações levaram muito mais tempo que o esperado e US$ 10 milhões a menos nos cofres da Warner, como o momento foi marcado pela presença do bigode de Henry Cavill.

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Come Together

A esta altura do campeonato, é impossível negar que o Universo da DC vem sendo problemático. Independente de gostar ou não dos filmes, a franquia tem sido um grande divisor de águas, beirando mais para o lado negativo. Homem de Aço foi recebido de forma mista, Batman v Superman mais morno, enquanto Esquadrão Suicida foi massacrado.

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Liga da Justiça não demora um minuto para estabelecer as mudanças de direção. A primeira cena traz um par de crianças fazendo um Q&A (Pergunta & Resposta, na tradução) com o Superman, lançando a seguinte pergunta: o que você mais gosta na Terra? Em um primeiro momento, Clark (Henry Cavill) leva alguns segundos para pensar em sua resposta, fazendo uma pose digna de super-herói, soltando um grande sorriso quando está prestes a soltar sua resposta. O vlog, então, é terminando abruptamente e a pergunta fica em aberto. Seria Lois o que ele mais gosta na Terra? Ou talvez os próprios humanos?

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O filme gasta o seu primeiro ato para estabelecer o que os nossos futuros heróis estão fazendo, além da jornada de Bruce Wayne (Ben Affleck) em recrutar os meta-humanos. Mas enquanto o Batman consegue fazer alguns avanços na sua pesquisa sobre os Parademônios e o que eles representam, Bruce Wayne vem tendo problemas para convencer Arthur Curry (Jason Momoa), o Aquaman, à ajudá-lo, enquanto Diana (Gal Gadot) sofre da mesma prerrogativa com Victor Stone (Ray Fisher), o Ciborgue. Na contra mão, o serelepe Barry Allen (Ezra Miller), o Flash, aceita o convite antes mesmo dele ser finalizando, alegando que ele “precisa de amigos”.

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Liga da Justiça é trabalhado de um forma bem mais leve que os capítulos antecessores do Universo da DC (com excessão, é claro, de Mulher-Maravilha), o que acaba gerando mudanças um tanto radicais, como é o citado caso do Batman. Se em BvS, Bruce Wayne era um cara bastante solitário, nas margens do heroísmo, cansado e um tanto desapontado com o que a humanidade pode fazer, a morte do Superman e o seu sentimento de culpa diante do acontecimento parecem ter gerado um efeito profundo no herói, que muda a sua postura. O novo Bruce Wayne é perceptivelmente mais alegre, tendo algumas frases de efeitos e momentos cômicos, como a cena em que ele responde à Barry que o seu super-poder é “ser rico”.

Este Batman também é mais focado em estabelecer um vínculo com a sua equipe e servir como uma espécie de mentor para todos eles, principalmente quando se trata de Diana. Ainda que, particularmente, eu não consiga engolir a tal da “tensão sexual” que os dois compartilham dentro da película, Bruce trabalha bastante para abaixar um pouco as guardas de Diana (e, consequentemente, as duas próprias), tentando vender a ideia de que as margens do heroismo só precisam dele, e que, se ela quiser, a Mulher-Maravilha poder ser uma líder e ter tanto peso no mundo quanto o Superman teve.

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É, então, que chegamos em um dos personagens mais esperado para ganhar o seu debut: o Aquaman.

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Cury também carrega consigo um cabelão num tom marrom escuro com mechas loiras, tatuagens escamadas pelo corpo todo, uma barba grande e o famoso corte na sobrancelha. Um visual pessoal de Momoa, mas que foi incorporado ao personagem à fim de dar uma roupagem nova ao Aquaman e mostrar ao público que ele não é tão “bananão” assim, mesmo com o seu super-poder de se comunicar com peixes. Uma piada, inclusive, que é levantada duas vezes por Bruce.

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Nessa mesma linha de mudanças, o Superman é também um que sofre positivamente com isso. Se em HdA e BvS, Clark parece carregar o peso do mundo em suas costas e tem uma abordagem mais melancólica, o Clark de Liga da Justiça é muito mais leve, ficando mais próximo do canon dos quadrinhos. Aqui, o primeiro momento de retorno à vida do Superman é marcado por uma crise de identidade, que leva o herói a lutar contra os seus amigos. É também uma das sequências mais interessantes do filme inteiro (talvez a melhor), explorando um pouco da ideia que carrega o jogo Injustice, onde o Superman torna-se um tirano e um vilão, aproveitando de seus poderes que lhe dão o famoso título de “deus”.

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Para mim, é interessante analisar algo: embora a personagem de Henry seja a mais importante e poderosa da DC, não é ele o responsável total pela destruição do Lobo, principalmente quando não houve, de fato, uma destruição. Sim, sem dúvidas o Super é uma peça fundamental para a suposta derrota do vilão, mas ele só chega na batalha para lançar o golpe que será responsável pelo golpe final, que fica a cargo de Diana. Com a Matadora de Deuses (que, inclusive, é uma pergunta entre os fãs em como ela consegue a espada de volta, uma vez que ela é destruída em seu filme solo), ela destrói o cajado do Lobo, que parece ser todo o centro de seu poder. Assim, o vilão perde o seu status e é atacado por uma horda de Parademônios, fazendo-o retrair de volta à nave/planeta/buraco negro de onde veio, deixando no ar se ele, de fato, morreu ou não (o que, na minha opinião, é facilmente um “não”).

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Ainda que o filme possa sim ser inconstante ao longo de suas duas horas de duração, ele dificilmente é tão ruim quanto a crítica especializada norte-americana vem apontando, principalmente com personagens tão bem trabalhados pelos seus respectivos atores. É fato que o longa não é nenhuma Mulher-Maravilha, mas também não é nenhum BvS. É uma espécie de meio-termo entre os dois, colocando, a meu ver, um crédito positivo no Universo da DC.

 

Easter Eggs

Como todo filme de super herói, Liga da Justiça está recheado de easter eggs com referências e homenagens ao universo DC Comics dos quadrinhos, do cinema e de outras franquias da cultura pop. Aqui vai uma lista com alguns destes.

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O Futuro

Agora, resta esperar pelos próximos capítulos da novela, que ano que vem já conta com o filme solo do Aquaman (Jason Momoa), além do início de produção do filme solo do Flash (Ezra Miller), que deve ficar pra 2020. Um filme para Ciborgue (Ray Fisher) e um para a Tropa dos Lanterna Verdes também estão no plano, mas apenas Lanterna contava com um previsão de lançamento para 2020, estando agora mais próximo da incógnita.

Batman também já tem confirmado o seu filme solo, que já está pré-estabelecido como uma trilogia. A direção fica a  cargo de Matt Reeves (Planeta dos Macacos: A Guerra), e tem o retorno de Ben Affleck um tanto “incerto”, assim como o de Joe Manganiello como o vilão Exterminador. J.K. Simmons permanece confirmado como o Comissário Gordon, e até mesmo já foi introduzido no universo.

Mulher-Maravilha já teve a sua sequência garantida, com o retorno de Patty Jenkins na direção e Gal Gadot na personagem-título. Em conversas preliminares à imprensa, Patty já contou que a sua ideia é levar Diana aos Estados Unidos e até mesmo mostrar o icônico Jato Invisível. Quanto à cronologia, o filme deve se passar durante a Guerra Fria. Mulher-Maravilha 2 (ainda sem título oficial) estreia marcada para 13 de dezembro de 2019.

Por último, Clark também está nos planos para ganhar um novo filme. Uma sequência para Homem de Aço já foi confirmada, mas ainda está em um estágio muito inicial de conversas, e deve demorar para sair. Entre os rumores estão a presença de Matthew Vaughn (Kingsman: O Serviço Secreto) como o diretor. Enquanto isso, rumores indicam que Zack Snyder não deve mais retornar à DC/Warner.

Ao mesmo tempo, uma coisa é certa: a DC já anunciou que seus filmes não serão tão conectados, funcionando de forma mais soltas. Além disso, o Universo terá uma franquia secundária, com filmes solos de outros personagens, como o do Coringa jovem (sem Jared Leto), o Sereias de Gotham (reunindo Harley Quinn, Hera Venenosa e Mulher-Gato), um da relação do Coringa com a Harley, um solo da Harley e até mesmo um do Exterminador.


Mesmo o Universo da DC estando um tanto sombrio em sua cronologia e a ligação entre películas, uma coisa é certa: esse não é o fim da Liga.


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