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Esta matéria foi vinculada, na íntegra, na minha revista online ZINT, sendo compartilhada aqui apenas em parte. Para lê-la completa, basta utilizar o player no final da postagem.


A primeira vez que apareceu na televisão, Christina Aguilera era apenas uma menina de 13 anos. A cantora, nascida em Staten Island, Nova Iorque, Estados Unidos, fazia parte do extinto programa O Clube do Mickey Mouse, reboot de um programa de mesmo nome da década de 1950, junto aos colegas famosos Britney Spears, Justin Timberlake e Ryan Gosling, além de Tony Lucca, JC Chasez, Nikki DeLoach e Keri Russell. Aguilera, no entanto, foi lançada como cantora solo apenas aos 19 anos, em 1999.

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Stripped chegou como um baque. Causando. A nova Era de Aguilera carregava uma imagem completamente oposta à apresentada anteriormente. O conceito era, por definição, provocador, sendo o primeiro álbum que dava a oportunidade ao público de realmente conhecer quem era Christina Aguilera. Enquanto seu debut album era apenas uma imagem criada por sua gravadora para tornar a cantora mais comercializável, seu quarto projeto era bastante pessoal. Stripped é, para todos os efeitos, a sua grande revelação/debut para o mundo.

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Christina Aguilera agora adotava o punk e não tinha papas na língua, determinada em cantar as mensagens que sempre quis cantar, com mensagens de empoderamento, independência e liberdade, ao mesmo tempo em que contava a sua triste história de vida para o mundo, que envolvia, principalmente, abuso e uma família disfuncional. O álbum ainda aborda temas como sexismo e depressão.

 

Suja?

A primeira vez que o mundo pôde ter um gostinho do quarto álbum de Christina foi em setembro de 2002. Grafado com dois “R” invés de apenas um, Dirrty é o carro-chefe do novo projeto. Com produção e composição de Christina Aguilera, Dana Stinson, Balewa Muhammad, Reginald “Redman” Noble e Jasper Cameron, a música já estabelecia a completa mudança da cantora. Pela primeira vez, como cantora solo, fazendo uma parceria com um rapper, Dirrty tinha fortes influências de R&B e Hip-hop. A música trazia parceria com Redman e uma letra carregada de sensualidade.

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Então, veio a quebra de expectativa. O single foi logo acompanhado por Beautiful, que futuramente viria a figurar em todas as listas das 100 melhores músicas dos anos 2000. Enquanto Dirrty vinha recheada de sexualidade e sensualidade e era colocado como um desvio do que o álbum representava, Beautiful era exatamente o contrário.

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Beautiful então deu espaço para Fighter. A música ficou conhecida, entre outras coisas, pelo poder vocal que Christina dedicou à faixa, estabelecendo um poderoso hino de força. O terceiro single dá um passo a mais no que Beautiful representava, estabelecendo uma música na qual a cantora agradece a todas as pessoas que duvidaram de seu talento e de sua capacidade pela a força que a deram para ser melhor. De acordo com Christina, a ideia da música surgiu ainda na turnê de promoção de seu primeiro álbum, quando ela já pensava em criar algo que emponderasse as mulheres e que as encorajasse a falarem por si mesmas.

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Com uma letra que tratava da independência do sexo feminino e o direito da mulher de ser e falar o que bem entender, sem ser vista de forma negativa, denunciando machismo e misoginia, Can’t Hold Us Down teve seu clipe dirigido por David LaChapelle, famoso produtor artístico também viria a trabalhar com Mariah Carey, Britney Spears, Amy Winehouse e Whitney Houston.

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The Voice Within foi o quinto e último single do trabalho, trazendo uma abordagem ainda mais pessoal para a divulgação do álbum. A balada é trouxe um alcance vocal ainda maior para Christina, cuja força foi bem recebida pelos críticos. A música trouxe um conteúdo de auto-descobrimento, de encontrar a voz dentro de si. Em entrevistas, a cantora diz que escreveu a faixa no início dos seus 20 anos, em uma época que sua família esta “indo de lá pra cá”.

Ainda que a recepção da crítica especializada tenha sido favorável à música, The Voice Within teve um resultado mediano nas paradas. Na Billboard Hot 100, alcançou o #33, enquanto na maioria dos outros países ficou de fora do Top 10 dos charts.

 

Desculpe por Nada

Assim como todos os seus singles, as faixas presentes no Stripped também contavam diferentes história, que, juntas, estabeleciam uma narrativa sobre a vida de Aguilera. Ao todo, o álbum é composto de 20 faixas, sendo quatro delas interludes.

Stripped Intro abre o álbum já com uma mensagem clara de Christina, que, de forma sarcástica, se desculpa por todas as “coisas ruins” que é. “Esperando um longo tempo” para se introduzir, a faixa pede “desculpas” por coisas como ter “quebrado o molde“, “falar o que me vêm à cabeça” e por ter “ficado real demais“. A tracklist então segue com Can’t Hold Us Down, antes de apresentar Walk Away. A terceira faixa do álbum fala sobre um relacionamento abusivo e criar coragem de sair dele e seguir em frente. Acompanhada de um piano, a música é uma das mais bem recebidas pelos críticos.

Temos então Fighter, o interlude Primer Amor, Infatuation, inspirada pela música latina (a artista tem ascendência latina), em especial o flamenco, com um teor mais romântico. Temos então o interlude Loves Embrace, e Love Me 4 Me, que segue a ideia de um amor puro, que ama-a por ela ser ela, como ela é.

A nona faixa do álbum é Impossible, uma feliz surpresa. A faixa é composta e produzida por Alicia Keys e até mesmo conta com uma curtíssima participação da cantora na música, além de tocar o piano que segue por toda a produção. Underappreciated conta sobre a dor de um término, Beautiful sobre auto-aceitação e então temos Make Over e Cruz. Ambas as músicas, inspiradas no rock, foram compostas e produzidas mais uma vez por Linda Perry. Vale destacar que no Reino Unido, Make Over foi processada por ilegalmente samplear (arte de utilizar acordes reconhecíveis de uma música em outra) Overload, da girlband Sugababes, sendo, posteriormente, creditadas.

O álbum segue com Soar, Get Mine, Get Yours (mais uma vez sobre sexualidade), Dirrty, Stripped Pt.2 (uma continuação para Stripped Intro) e The Voice Within. É aí vem I’m Ok, faixa que fala sobre o abuso que sofreu quando criança, na época em que seu pai ainda morava em casa. Utilizando de elementos que remetem à sua infância e introduzindo a letra com um “Era uma vez” numa espécie de fábula sombria, Christina conta que, apesar de tudo, agora as coisas estão melhores. Keep on Singin’ My Song fecha o álbum, com uma influência gospel e quadro de esperança diante o futuro.

 

Reconhecimento

Embora o Stripped tenha se tornado um dos álbuns mais influentes no mundo da música e estabelecido uma grande marca na música pop, na época de seu lançamento, o trabalho de Christina Aguilera foi recebido de forma mediana. O Metacritic, site especializado e agregador de críticas de produtos culturais, coloca o álbum com 55/100 de aproveitamento. Revistas como Rolling StoneThe Guardian deram 3/5 estrelas ao álbum, enquanto a Billboard deu um “favorável” e a Entertainment Weekly um “C+”.

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O sucesso do álbum também assegurou à artista a sua primeira turnê mundial, conhecida como The Stripped Tour.

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A world tour, no entanto, se limitou apenas à Europa, Ásia e Austrália, tendo sua perna nos Estados Unidos e Canadá cancelada devido problemas vocais da cantora. The Stripped Tour mesclava músicas do Christina Aguilera, Mi Refrejo (álbum em espanhol que servia como uma espécie de “tradução” para o debut album) e Stripped, contando com 22 faixas. Durante as apresentações no Reino Unido, o show foi gravado e posteriormente lançado em DVD, com o Stripped Live in the U.K.

 

Inspiração

O legado deixado por Stripped vai além do que seu sucesso comercial ou a posterior ascensão nas maiores listas de melhores álbum da década, servindo de inspiração para muitas pessoas ao redor do mundo. Enquanto seus fãs, conhecidos como Fighters, parecem concordar que Stripped é o melhor e mais intimista álbum de Aguilera, o mundo da música presta homenagem de formas ainda mais visíveis.

São diversos os artistas que colocam Christina Aguilera como grande influência de suas carreiras como cantores, podendo citar alguns dos mais famosos no meio pop. Selena Gomez já estabeleceu a afirmativa. O último álbum da cantora, intitulado Revival, inclusive, é uma clara evidencia disso. A cantora coloca que Stripped a ensinou a “abaixar suas defesas, e ser sexy e divertida ao mesmo tempo“, o que a inspirou a lançar o álbum, que parece replicar o que Christina quis fazer com seu trabalho. A capa, por exemplo, onde Selena senta nua, em preto-e-branco, é facilmente relacionada à capa do álbum da veterana.

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Fighters

Enquanto cantoras utilizam de suas plataformas para cantar suas mágoas e a história de suas vidas, os fãs de Christina Aguilera, conhecidos como Fighters, mantém um vínculo com a cantora (e o álbum) menos público.

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