Vamos falar de “Supergirl”, série da CBS em parceria com a DC Comics

A primeira vez que anunciaram que a Supergirl ganharia uma série solo, eu fiquei muito animado. Embora conhecesse muito pouco dela nos quadrinhos (e isso ainda permanece), havia desenvolvido um amor pela personagem em Smallville (sim, eu assistia; e, pasmem!, eu gostava), que havia ficado a cargo de Laura Vandervoort dar vida. Mas a animação não durou tanto tempo assim.

Rapidamente fui de animado para um pouco receoso, principalmente quando vieram apresentar o projeto como uma espécie de “série policial”, o que me deu uma ideia um pouco distorcida do que eles estavam querendo entregar. Talvez fosse difícil definir que tipo de série Supergirl seria, e “policial” era o mais próximo porque ela iria lutar contra bandidos e combater o crime? Talvez.

De uma forma ou de outra, coloquei a série na lista de “assistir“. Agora era esperar a estreia e acompanhar, pra ver qual o tratamento que a CBS, em parceria com a DC Comics, iria dar à prima do Homem de Aço.

Completamente diferente do que a FOX faz com Gotham (que é genial, e eu já falei sobre aqui) e muito mais próxima do que a The CW faz com Arrow e The Flash (a meu ver, ainda mais próxima da segunda citada, embora eu não acompanhe nenhuma das duas), Supergirl estreou no dia 26 de outubro de 2015, seis meses depois de ter seu episódio piloto vazado na internet, tendo o seu season finale dia 18 abril de 2016.

Kara Zor-El nasceu no planeta Krypton, e escapou da destruição há anos. Desde então, ela chegou à Terra, e vem escondendo os poderes que ela e seus primos têm. Mas agora, aos 24 anos, ela ela decidiu assumir suas habilidades e ser a heroína que nasceu para ser. [AdoroCinema]

Para quem não conhece a mitologia, Supergirl é o alter-ego de Kara Danvers (Melissa Benoist), nome de adoção para a kriptoniana Kara Zor-El, sobrinha de Jor-El. Portanto, ela é prima de Kal-El/Clark Kent, a identidade secreta do Superman/Homem de Aço. Na história, Kara foi enviada à Terra no mesmo tempo que seu primo, quando Krypton estava em ruptura, prestes a explodir. Alguns anos mais velha que Kal-El, a menina foi escolhida por sua família à fazer a viagem para poder servir de assistência à seu primo, ainda bebê, quando chegassem na Terra.

Ainda que tenha várias versões nos quadrinhos quanto sua origem e chegada ao planeta, a série resolveu fazer uma própria. Aqui, por ter saído momentos depois de Clark, a nave de Kara acabou levando um ricochete da explosão de Krypton, colocando-a fora de rota e fazendo-a entrar em colisão com a Zona Fantasma, um lugar para onde os criminosos de Krypton eram enviados para cumprir pena.

Kara então fica imersa na realidade da Zona por vários anos, sem envelhecer, finalmente chegando à Terra quando os criminosos tomaram conta da prisão e caíram no nosso planeta, libertando-a. Assim, a kriptoniana é resgatada por seu primo, agora adulto (e mais velho que ela) e já consagrado como o Super-Homem, que a colocou sobre o cuidado dos Danvers, por já terem ajudado o herói em outras ocasiões e sabiam de sua identidade secreta. Kara, portanto, cresceu escondida, assim como Clark viveu por muitos anos. Mas em um determinado momento, a kriptoniana acaba tendo que revelar seus poderes, tornando-se Supergirl e a defensora de National City, cidade em que sua história toma panos de fundo.

Contado um pouco do enredo que sustenta a série, é hora de falar sobre seu desenvolvimento.

É impossível negar a força que o Super-Homem tenha dentro e fora da tela, colocando Supergirl um pouco em sua sombra. Isso acaba por tornar quase impossível se ter uma série sobre Kara sem falar de Clark. O que acontece em Supergirl, no entanto, é algo que chega a incomodar.

O nome “Homem de Aço” é citado em 2 de cada 3 falas que acontecem na série. É um nome repetido constantemente, que acaba servindo para dois propósitos muito simples: 1. lembrar o público, de forma exaustiva, que o Super-Homem existe e é primo de Kara (duh); e 2. dar a ideia que por mais que a Supergirl seja a Supergirl, ela ainda é nova no ramo de salvar o mundo, algo que seu primo vêm fazendo há anos, o que quer dizer que para ser esquecida como “a prima do Super-Homem”, ela precisa fazer muito para chegar ao patamar que seu primo se encontra, tornando-se tão alto-suficiente quanto ele é na série, uma vez que a Liga não existe nesse cenário.

É preciso de alguns episódios até que Kara seja “esquecida” como “a prima do Homem de Aço”, e mostre que é tão capaz quanto ele (em um determinado episódio da reta final, que é até mais capaz). Eventualmente, a “presença” do herói no mesmo universo é utilizada mais como um lembrete, que “aparece” mais em cenas de troca de mensagens entre os dois, na qual Clark, sempre de Metrópolis, dá os parabéns à sua prima pelo belo trabalho como Supergirl. Inclusive, as conexões com a história do Super-Homem não parar por aí, uma vez que há diversas citações ao Planeta Diário, Metrópolis, Lois Lane, Perry White e companhia.

Embora essa seja uma série do ramo de super-heróis, há diversos outros focos implantados nos episódios semanais de “salvar o dia”. Um dos principais é, claro, o feminismo. Quando Kara decide ser a Supergirl, por exemplo, há um teste de roupas, dos quais ela veste diversos uniformes até encontrar o que mais se encaixa à sua personagem. Há alguns ester-eggs embutidos durante a cena, além de diversas críticas. Kara se recusa a usar roupas decotadas ou curtas demais, optando por um colant de mangas longas, uma saia por cima de uma meia-calça escura e botas acima do joelho.

Em outro momento, quando Kara recebe o branding de Supergirl por Kat Grant (Calista Flockhart), sua chefa na fictícia rede midiática CatCo, ela questiona porque “girl” (garota, em inglês), e não “woman” (mulher). Kat, como uma feminista, acredita que “girl” não diminui a força que a super heroína tem. “Qual o problema de ser uma garota? Eu sou uma garota. E sua chefe. E poderosa, e rica, e gostosa, e inteligente. Então se você vê Supergirl como algo menos do que excelente, o problema não seria você?“, responde.

E eis um outro ponto muito bem explorado na série: Kat Grant. A personagem de Calista é uma mulher forte e de força gigantesca. Kat é a personificação do feminismo, sempre se colocando à frente das causas de empoderamento, e tornando-se uma poderosa aliada da Supergirl, servindo à ela como uma espécie de mentora. É em Grant que vemos as maiores frases de efeito e as falas mais afiadas e políticas.

A dona da CatCo não aceita ser colocada para trás, e nem mesmo ser diminuída pelo fato de ser uma mulher, algo que é explorado durante um episódio em que tentam retirar Kat de seu posto e colocar um homem no lugar. Eventualmente, a personagem acaba tornando-se uma figura materna para Kara/Supergirl, ainda que ela tente mostrar-se como uma rainha de gelo.

A produção acerta em outros pontos, como trazer uma evolução narrativa para a história, alguns efeitos especiais, e desenvolver seus personagens, dando espaço, por exemplo, para o amadurecimento do antagonista Maxwell Lord (Peter Fascinelli), que encontra-se encima de uma margem muito apagada entre o heroismo e o vilanismo.

Trad.: Alguém tem pipoca?

Mas há problemas na série. Problemas que não são tão explícitos e até mesmo difíceis de serem nomeados. Há algo na produção que a impede de ser algo realmente viciante. Algo que encontra-se em falta, e que eu não sei dizer o que é.

Supergirl erra profundamente em seus momentos baixos. Em alguns arcos, em cenas que a série poderia fazer algo realmente bom, o enredo afunda e apresenta uma sequência fraca e bastante sofrível (como a batalha Supergirl + Flash vs Banshee Prateada + Curto Circuito). A produção também deixa à desejar no segmento que diz respeito à Myriad, e acaba terminado o “arco principal” não tão memorável assim.

A série, no entanto, tem espaço para amadurecer e encontrar esse ingrediente faltante.

SupergirlPic

Ao longo de seus 20 episódios, Supergirl teve em seu elenco fixo, além dos já citados, Chyler Leigh como Alex Danvers, Jeremy Jordan como Winn Schott, Mehcad Brooks como o fotógrafo Jimmy Olsen (é, o do Planeta Diário, amigo do Clark Kent), David Harewood como Hank Henshaw, Jenna Dewan Tatum como Lucy Lane (sim, a irmã da Lois!), Laura Benanti como Alura Zor-El, e Chris Vance como Non.

Há também as presenças ilustres da Supergirl do filme homônimo de 1984, Helen Slater, como a mãe de Alex e Kara, Eliza Danvers, e Dean Cain, o Superman da série Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman (1993), como Jeremiah Danvers. David Harewood, o Hank Henshaw, ainda faz um segundo papel: o de J’onn J’onzz, o Caçador de Marte (Ajax), famoso integrante da Liga da Justiça.

A série também contou com as participações de Grant Gustin no papel do Barry Allen/Flash, em um crossover das duas séries; e de Laura Vandervoort, a Kara/Supergirl de Smallville, no papel da vilã Indigo, a Brainiac 8.


Supergirl teve sua segunda temporada confirmada hoje, graças à mudança de canal. A série sai das mãos da CBS e passa a integrar o catálogo da The CW, que já tem em mãos Arrow, The Flash e DC’s Legends of Tomorrow. No Brasil, a série é exibida pelo Warner Channel.

Um pensamento para “Vamos falar de “Supergirl”, série da CBS em parceria com a DC Comics”

Uma moeda pelos seus pensamentos 👇

Seu email não será publicado. Caixas marcadas com *