Qual é o problema com “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”?

Que Batman vs Superman: A Origem da Justiça é o filme de super-herói mais controverso do momento (talvez de todos os tempos?), todo mundo já sabe. A película dividiu a opinião de todos os que assistiram à produção, gerando diversos debates em todos os cantos, sobre qualquer assunto relacionado. E, dizem as más línguas, que isso colocou em cheque os planos da DC/Warner na construção cinematográfica do grupo de super-heróis mais conhecido do mundo: a Liga da Justiça.

É impossível negar que a batalha entre o Batman (Ben Affleck) e o Super Homem (Henry Cavill) tenha se tornado um dos momentos mais aguardados da história do cinema, assim como a introdução da Liga da Justiça para um vindouro filme “solo”. Afinal, a DC tem em mãos (possivelmente) o grupo de super-heróis mais famoso do mundo; então como seria diferente?

Com o anúncio da produção (feito lá em 2013), os olhos do mundo voltaram-se à DC/Warner. As empresas estariam dando continuidade ao estágio inicial da construção de seu Universo Cinematográfico, do qual a sua grande concorrente, já tem em vigência desde 2009 com o lançamento de Homem de Ferro. Mas, ao contrário da casa d’Os Vingadores, a DC começou seu Universo de forma totalmente diferente.

*Zona livre de spoiler.*

Para início de conversa, eles escolheram um lado mais sombrio e pesado para seus filmes, deixando de lado o mundo completamente colorido, vivo e cheio de humor utilizado pela Marvel. Há, ainda, uma outra diferença interessante: enquanto uma iniciou seu Universo com um personagem que não era tão conhecido em escala mundial (pelo menos não tanto quanto o da “rival”), a outra deu o pontapé com o personagem mais famoso de seu catálogo.

Ao anunciar a batalha entre seus dois principais personagens como a sequência para Homem de Aço (2011), a DC/Warner colocou em evidência uma expectativa que grande parte das pessoas não sabiam que tinham. E então, o filme foi lançado e essa expectativa foi colocada à prova.

E, antes de qualquer coisa, é importante já ter algo em mente: eu gostei do filme. Esperei esse momento por mais ou menos uma década, quando comecei a assistir o desenho da Liga da Justiça lá na minha época de Ensino Fundamental. Porém, isso não quer dizer que eu não tenha achado a produção defeituosa. Porque achei.

O confronto entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon) em Metrópolis fez com que a população mundial se dividisse acerca da existência de extra-terrestres na Terra. Enquanto muitos consideram o Superman como um novo deus, há aqueles que consideram extremamente perigoso que haja um ser tão poderoso sem qualquer tipo de controle. Bruce Wayne (Ben Affleck) é um dos que acreditam nesta segunda hipótese. Sob o manto de um Batman violento e obcecado, ele investiga o laboratório de Lex Luthor (Jesse Eisenberg), que descobriu uma pedra verde que consegue eliminar e enfraquecer os filhos de Krypton. [AdoroCinema]

O grande problema em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, como já foi apontado constantemente, é o seu roteiro. Com mais ou menos 2h30 de duração, o filme encontrou um sério problema em construção de narrativa. Mas quando você para para pensar sobre isso, percebe que o filme acabou tornando-se vítima de seu corte final.

Recentemente, o editor David Brenner, responsável pela montagem/edição, afirmou que o primeiro corte teve uma duração de 4h. Quatro! O que significa que houve uma baixa de 1h30 de filme, sacrificando não só personagens, como linhas narrativas, falas e cenas, afetando (muito provavelmente) o desenvolvimento da película.

Basta olhar o primeiro ato de BvS, construído pelo que parece ser um monte de cenas sem ligação uma com a outra. O filme só vem a montar uma narração própria lá para quase 1h de duração, quando se dão início às discussões políticas sobre os problemas que a existência de um alienígena pode trazer para o mundo. Algo que, inclusive, é totalmente esquecido lá pelo terceiro ato.

Há, no entanto, um outro grande vilão para esse filme, cujo nome já foi citado anteriormente: a expectativa. Acredite ou não, mas grande parte do público parecia estar esperando (mesmo que não soubesse) que esse filme fosse algum tipo de marco na história do cinema, por envolver dois dos maiores super-heróis do mundo. Algo que transcendesse o épico.

Como cereja do bolo, as pessoas ainda esqueceram que o filme não se chama apenas “Batman vs Superman“, e que há uma segunda parte do título. Embora a batalha entre o Morcego de Gotham e o Filho de Krypton estivesse em letras grandes, a película não era exatamente sobre esse confronto, mas sim sobre o que a segunda parte do título traz: A Origem da Justiça.

Era preciso criar algum tipo de ameaça que tornasse plausível a ideia desse grupo de super-heróis. A batalha entre esses dois personagens é apenas um bônus, até porque quem conhece a Liga da Justiça sabe que o relacionamento entre Bruce Wayne e Clark Kent é conturbada, gerada pela mistura de um sentimento de amor e ódio.

O confronto entre ambos é algo que constantemente acontece(rá), principalmente pela diferença de ideologias entre eles. Portanto, a “épica batalha”, não é tão épica assim.

Para quem assistiu ao filme entendeu (ou deveria ter entendido) que BvS não é sobre o Batman versus o Superman, mas sim sobre como a Liga da Justiça teve sua origem. Em como ela vai ser reunida, e porquê ela vai ser reunida. E, ainda mais importante, por quem.

E nesse quesito o filme conseguiu atingir o que propunha.

BvS não só introduziu a Liga como ainda deu espaço para a reunião da Trindade (!!!), no momento mais ápice do filme. Diana Prince (Gal Gadot) teve momentos chaves na construção da narrativa que antecedeu a batalha contra o Apocalipse, quando finalmente vestiu o uniforme de amazona e apresentou-se ao mundo como a Mulher Maravilha. Sua presença na linha de guerra é totalmente justificada momentos antes. E embora ela não esteja com nenhum deles (dum-tun-tss), rapidamente ela se uniu a ambos.

Fica claro também que a produção não foi pensada para atingir, em primeiro momento, o grande público. Há referências e mais referências que só seriam compreendidos por quem acompanha os quadrinhos, os jogos e as animações: Multiversos, Caixa Mãe, Flash do Futuro, Morcego Humano, Darkseid, Batman: Arkham, e até mesmo os Meta Humanos.

Entender completamente o filme necessitaria, para o público médio, de uma pesquisa posterior sobre o que essas coisas representam no universo da DC. Algo que eu precisei de uma ajuda dos universitários para poder entender melhor.

Mas e aí, o que isso tudo quer dizer?, você talvez pergunte. Que o filme é excelente? Não. Então quer dizer que ele é ruim? Também não. Quer dizer que o filme não é uma obra prima, mas também não é essa porcaria que a crítica especializada faz parecer que é. Inclusive, a película é extremamente corajosa em muitos fatores, e merece um grande mérito pela audácia da DC/Warner em lançar algo que vai totalmente contra a maré do que foi estabelecido pelos filmes da Marvel, com suas produções cheias de vida/cor e carregadas de humor.

E é justamente em cima disso que entra uma suspeita minha: a grande possibilidade de BvS ter sido analisado diante da visão do polêmico “gênero de super-heróis“, algo que é constantemente alvo de análises, por muita gente não considerar esse tipo de filme um gênero (principalmente as empresas e equipes de produção).

Mas em outras linhas: é verdade que o filme deixa sim várias perguntas em aberto, em um corte que possui buracos narrativos. Fico me perguntando, no entanto, em como o filme teria sido nesse corte de 4h. Os trinta minutos adicionais da versão Ultimate, que será lançada em junho (e que a Warner pode colocar nos cinemas em formato limitado), não me parecem um acréscimo muito interesse. Mas, nunca se sabe né…

*toca a musiquinha tema de Liga da Justiça*
*toca a musiquinha tema de Liga da Justiça*

 

Ficha técnica e informações especiais:

Batman vs Superman: A Origem da Justiça é dirigido por Zack Snyder (também diretor de Homem de Aço, além de Watchmen e 300), com roteiro de Chris Terrio (responsável pelo premiado Argo; retornando ao posto em Liga da Justiça Parte 1 e Parte 2 *) e David S. Goyer (Homem de Aço e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge).

Henry Cavill volta a reprisar o papel de Clark Kent/Superman, enquanto Ben Affleck estreia no corpo de Bruce Wayne/Batman. A produção ainda conta com o retorno de Amy Adams como a jornalista Lois Lane, Laurence Fishburne como o editor-chefe do Planeta Diário Perry White e Diana Lane como Martha Kent. As adições trouxeram Gal Gadot como Diana Prince/Mulher Maravilha, Jesse Eisenberg como Alexander “Lex” Luthor, Jeremy Irons como Alfred Pennyworth e Holly Hunter como a Senadora Finch.

Nas participações especiais, tivemos a volta de Michael Shannon como o General Zod, e as estreias de Tao Okamoto como Mercy Graves e Jeffrey Dean Morgan e Lauren Cohan como Thomas e Martha Wayne, respectivamente. Sem contar, é claro, os membros da Liga: Jason Momoa como o Aquaman, Ezra Miller como o Flash e Ray Fisher como o Ciborgue.

No “elenco easter-egg” (estando no filme ou não), tivemos a presença de Michael Cassidy como o jornalista Jimmy Olsen, Jena Malone como Bárbara Gordon, Emily Peterson como Lana (Lang?) e Joe Morton como Silas.

A versão Ultimate de BvS, que possui classificação etária para maiores de 18 anos e 30 minutos de cenas adicionais, será lançada nos Estados Unidos no dia 16 de julho, junto ao Blu-Ray do filme. Porém, há especulações de que a Warner está planejando uma estreia antecipada do Ultimate em circuito limitado (apenas alguns cinemas), afim de que o filme ultrapasse a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria.

Seria muito se a Warner Bros. Brasil decidisse trazer esse lançamento pra cá, em vista dos constantes recordes que BvS vem alcançado em solo brasileiro?

 

* Vale lembrar que Liga da Justiça Parte 1 e Liga da Justiça Parte 2 não são os nomes reais do filme, com títulos ainda a serem definidos.

3 Pensamentos para “Qual é o problema com “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”?”

  1. Batman é um super-herói envolta em mistério, escuridão, força e fúria. Eu acho que o papel foi deixado para Ben Aflleck porque reflete todas as características do personagem. Anteriormente, ele havia trabalhado um super-herói em Daredevil. No início do filme é um pouco lento, no entanto, é necessário fornecer o contexto e tem ação, drama, mal, desespero, romance, tudo que você precisa para ficar no banco.

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