Nas mãos da The CW, “Supergirl” encontra novos ares e um caminho promissor

Quando foi anunciada, Supergirl levantou alguns questionamento sobre a sua produção, principalmente na escolha inusitada de fazer parte do catálogo da CBS, um canal que aposta muito em dramas e séries policiais, como as franquias NCIS e Criminal Minds. A curiosidade foi o suficiente para dar ao programa um total de quase 13 milhões de telespectadores em sua noite de estreia. No entanto, a série acabou encontrando uma temporada bastante mediana, com mais episódios baixos do que altos, como eu já andei falando por aqui, resultando em uma mudança já esperada por muitos.

Com um custo elevado e a recepção morna da primeira temporada, a série acabou sendo “cancelada” pelo canal e repassada para a The CW, cujo catálogo já é composto por Arrow, The Flash e DC’s Legends of Tomorrow. E a mudança não poderia ter sido mais que bem-vinda. Com nove episódios já exibidos pela CW, Supergirl já mostrou mais amadurecimento do que 20 episódios dentro da CBS.

Possíveis pontadas de spoiler

Com a troca de canal em vigor, a CW não perdeu tempo e logo tratou de estabelecer algumas novidades, sendo a maior delas a tão aguardada aparição do famoso primo de Kara (Melissa Benoist), o Superman. E para esse momento, no mínimo, épico, o canal escolheu Tyler Hoechlin para interpretar o jornalista do Planeta Diário, Clark Kent. E a resposta foi bastante positiva, uma vez que o ator é um antigo conhecido do público por seu personagem Derek na série Teen Wolf, da MTV, cujo público-alvo é bastante parecido com os das séries exibidas pela CW.

A participação da personagem durou apenas o arco dos dois primeiros episódios da nova temporada (questões contratuais e etc.), mas foi muito bem colocada, não criando situações onde a Supergirl fosse apenas uma sidekick do Superman, ou a donzela em perigo para a exaltação do kriptoniano. A produção apresentou uma dupla companheira e uma relação bastante unida entre as duas personagens, em uma química envolvente e bastante divertida.

A presença deTyler Hoechlin como Clark Kent foi tão bem explorada, que o público pedia outras participações da personagem na série, ou até mesmo um novo programa estrelado pelo Homem de Aço. Os pedidos foram tantos, que a CW precisou ir esclarecer que não há planos para uma nova série do super-herói, e por enquanto não há planos concretos para o seu retorno em Supergirl.

“Esse é o meu primo: Superman.”

Voltando a Supergirl e seus novos caminhos, a segunda temporada entrou de cabeça em toda a política envolvendo os alienígenas. Enquanto a primeira, pela CBS, utilizou de um ou dois episódios para tratar do assunto, a nova temporada tem toda a sua trama envolta disso. Os novos episódios trazem a ameaça da Cadmus, uma organização secreta cuja agenda é acabar com todos os alienígenas que vivem na Terra, por os considerarem uma ameaça em potencial para o completo extermínios dos seres-humanos.

A série faz todo uma elipse em quem está por trás da organização e qual a sua ligação e motivação para todo o ódio contra os alienígenas, que no final até funciona um pouco como um momento “bomba”, criando todo um movimento circular na construção da narrativa. Ao mesmo tempo, vemos a produção dar espaço para outras formas de vida aparecerem, e mostrarem que não existem apenas dois kriptonianos, um Marciano Verde e vários alienígenas vilões naquela realidade. Há também diversas outras espécies e culturas vivendo pacificamente na Terra, buscando refúgio ou redenção, depois de seus planetas serem ameaçados ou algo parecido.

Porém, um dos outros grandes pontos positivos da segunda temporada de Supergirl é a sexualidade de uma das personagens, que agora é posta em primeiro plano, sem ser colocada de forma abrupta e/ou desconexa. Episódio após episódio, a homossexualidade da personagem é explorada em uma linha crescente, dando não só ao público a oportunidade de descobrir os conflitos em se dar conta de tal coisa, mas também à própria personagem, que precisa de um momento para processar sentimentos que até então havia apenas colocado de lado.

Para completar, essa primeira parte da nova etapa de Supergirl termina com um dos melhores momentos de 2016. Assim que foi efetivamente catalogada como uma série da The CW, uma das primeiras coisas a serem confirmadas sobre a nova temporada foi o Mega Crossover da DC, unindo todas as séries que o canal tem em posse: Supergirl, The Flash, Arrow e DC’s Legends of Tomorrow.

Com 3h de duração, o mega episódio deu a oportunidade de ver a Supergirl participar de uma equipe de super-heróis, e ser colocada como a heroína mais poderosa entre todos eles. O episódio especial ainda deu a oportunidade de ver uma versão “adaptada” da Liga da Justiça (afinal, convenhamos que no que se trata da TV, Kara, Barry e Oliver formam a Trindade), e um fan-service onde o quartel general designado para esse momento épico era nada menos que o Hall da Justiça (!!!), o QG dos Superamigos.

A dinâmica dos personagens é bem explorada, criando alguns embates antes de fazer com que todos eles estivesse a bordo de fazer parte de uma equipe tão grande. Claro que para os personagens de Flash, Arrow e Legends, a dinâmica se desenvolvia mais fácil, por eles já terem se ajudado em outros momentos, mas é cômico ver o Oliver precisando de um momento para processar a existência de uma alienígena super-heroína.

O crossover ainda deu a oportunidade da CW colocar em suas outras séries (lê-se Arrow e Legends, já que Supergirl está em um outro universo/Terra) as consequências do Flashpoint, evento em que Barry Allen retorna ao passado, salva sua mãe e altera a ordem de todo o futuro/presente. O que por sua vez cria toda uma nova dinâmica entre o super time.

Acredito que o ponto mais interessante desse mega evento todo não é, por si só, a união das quatro séries, mas o fato de que, utilizando de uma invasão alienígena (vide o nome do crossover: “Invasion!“), a CW volta a trata sobre toda a problematização de seres super-poderosos, e o potencial que eles tem para serem os “exterminadores” da raça humana/sem-poderes. Ainda que, aqui, o juiz/juri/carrasco seja um raça alienígena, facilmente podemos transpor essa trama para, por exemplo, o que está sendo todo o enredo dessa segunda temporada de Supergirl, como já dito anteriormente, não é mesmo?

A nova temporada de Supergirl também contou com a presença ilustre de Lynda Carter, a Mulher-Maravilha da série homônima dos anos 1970, como a Presidente dos Estados Unidos. É pra chorar de orgulho ou não é?

Supergirl retorna com novos episódios dia 23 de janeiro, em uma temporada completa de 22 episódios.

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