“Lucifer”, série de fantasia/policial da Fox, é carismática e (realmente) divertida

E se um dia Lúcifer cansasse de sua fatídica punição eterna de governar o inferno e decidisse se rebelar (de novo) contra seu Pai, largando tudo e indo morar entre mortais? Será que teríamos caos? Será que o inferno viria para a terra? Veríamos muitos pães amassados na padaria? Ou apenas uma piano-bar muito badalado e casos solucionados para a polícia?

Essa é a premissa de Lucifer, série de fantasia/policial da Fox, baseada nos quadrinhos de Sandman, publicados pela Vertigo, selo adulto da DC Comics, cujo personagem título desta postagem apenas era coadjuvante, posteriormente ganhando uma série spin-off de seus próprios quadrinhos. Indo ao ar em janeiro de 2016, a série conta com uma temporada de 13 episódios já exibidos.

Entediado e infeliz como o Senhor do inferno, Lúcifer Morningstar (Tom Ellis) abdica de seu trono e abandona seu reinado para viver na atordoada Los Angeles. Lá, ele dá início a outro empreendimento e abre um Piano-Bar chamado Lux. Posteriormente, Lúcifer se depara com Chloe Decker (Lauren German), uma detetive do Departamento Policial de Los Angeles que, curiosamente, é imune a todos seus poderes sobrenaturais, tornando-se um grande ponto de interrogação na vida do diabo. [AdoroCinema]

Legendas embutidas no próprio vídeo.

 

*Zona com possíveis (porém leves) spoilers.*

Coincidentemente (não tão óbvio assim, vale ressaltar), o maior atrativo de Lucifer é justamente a sua personagem-título. Nessa mitologia, o diabo é um cara bastante atraente, com uma libido incansável, de lábia extraordinária e dono de um sarcasmo e egocentrismo gigantesco. Se o show não é sobre ele mesmo, então o que há de interessante nele? Para Lúcifer, nada.

A série apresenta um Senhor do Inferno vaidoso e luxuoso, bastante preocupado com a sua aparência física (sempre muito bem arrumado, no melhor que o dinheiro pode oferecer), e com a sua reputação, da qual considera um assunto delicado. Lúcifer não gosta de ser responsabilizado pela desgraça dos outros, pelo fim do mundo, ou por tudo que há de ruim ou pior no mundo. O diabo não tem nada a ver com essas frivolidades humanas, e ele não é nada senão alguém bastante justo, defensor dos inocentes e carcereiro dos culpados. Sim, Lúcifer pune as pessoas, mas apenas se elas realmente merecerem.

Com uma personalidade cheia de sarcasmo e carregada de um egocentrismo sufocante, Lúcifer dificilmente leva as coisas a sério, e dificilmente se importa com outras pessoas que não seja ele. O diabo sempre consegue virar a história para si mesmo, e sempre consegue o que quer. Um de seus poderes sobrenaturais, além de provocar uma atração sexual forte nas pessoas e revelar sua (Lúcifer) verdadeira forma quando lhe convém, é forçar os mortais a revelarem seus maiores e mais profundos desejos, dos quais ele usa como vantagem para alcançar seus próprios interesses.

“Lúcifer gosta.”

Tanto quanto sarcástico e egocêntrico, Lúcifer também é obstinado. O anjo caído já tomou sua decisão e não vai voltar ao inferno, não importa quantas vezes seu irmão Amenadiel (D. B. Woodside), como um intermédio de seu Pai, implore e apresente os lados negativos de seu irmão abdicar de seu trono no submundo. Nem mesmo a mão direita de Lúcifer, Mazikeen “Maze” (Lesley-Ann Brandt), líder do clã de Lilin, uma raça de demônios híbrida dos Súcubo e Íncubo, é capaz de mudar sua cabeça. Principalmente quando a curiosa detetive Chloe Decker aparece na vida dele.

Chloe não só é imune aos poderes sobrenaturais de Lúcifer, como também mostra-se pouco interessada ou impressionada pelo seu charme, considerando-o um verdadeiro pé no saco, intrometido e, claro, egocêntrico. Mas para piorar, Chloe ainda possui uma outra peculiaridade: não só é imune ao poder de Lúcifer, como também o torna vulnerável e isento de sua imortalidade. Coisa que, por si só, é o suficiente para chamar a atenção do Senhor do Inferno, que se coloca como um aliado da polícia apenas para poder descobrir o que Chloe “esconde”. Seria ela um anjo enviado por seu Pai para força-lo voltar ao Inferno? Ou uma arma de seus inimigos para destruí-lo?

Enquanto isso, o diabo tem que balancear sua vida com Maze, que mostra-se bastante insatisfeita e entediada em continuar entre os mortais; controlar as visitas sufocantes de seu irmão Amenadiel; ter que lidar com as intervenções de Dan (Kevin Alejandro), o ex-marido de Chloe, a seu respeito; fazer terapia semanalmente afim de resolver seus questionamentos sobre sua vida na terra, sua posição como O Diabo e a situação curiosa de Chloe, com a psicóloga Kim Martin (Rachael Harris); e, por fim, resolver curiosos casos policiais que parecem se conectar diretamente à ele. E, é claro, ao mesmo tempo que ninguém o leva a sério e nenhum mortal realmente acredita que ele É o Senhor do Submundo.

Da esquerda para a direita: Amenadiel, Maze, Lúcifer, Chloe Decker, Dan e Kim Martin. Ao fundo, o piano-bar Lux.

É no meio de 13 episódios que podemos nos divertir com a personalidade de Lúcifer, que chega a ser bastante cômica tamanha a cara de pau do protagonista. Além de, é claro, ver a série trabalhar com um outro lado do Senhor do Inferno, muito diferente do “filho do apocalipse” como é constantemente tratado. Lúcifer, aqui, é colocado sob um tanto de glamour, dando a ele um certo vitimismo sobre o seu destino, obstinado a corrigir sua imagem de filho do apocalipse.

Em alguns dos episódios, podemos ver que Lúcifer ainda mantém um vínculo bastante forte com a sua antiga vida de anjo, de quando era o filho preferido de seu Pai. O diabo ainda possui grande afeto com as suas gigantescas e maravilhosas asas, mesmo após ter pedido que Maze as cortasse, simbolizando sua rebeldia e um adeus à sua antiga vida. Ironicamente, as asas de Lúcifer são brancas como marfim, enquanto as de Amenadiel são negras como a noite.

A temporada chega ao fim de forma bastante interessante, colocando como enredo central da segunda temporada a fuga da mãe de Lúcifer do inferno, a única pessoa/coisa de quem o diabo (e o resto do mundo deveria ter) tem realmente medo.

E aí, vai encarar?

A segunda temporada da Lucifer estreia hoje na Fox norte-americana, ainda sem um número total de episódios.

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