Lady Gaga: nostalgia de um dia que não volta mais

Resolvi ser nostálgico. Fui ouvir minha playlist recém feita da Lady Gaga, com músicas de seus três álbuns e EP. Num rápido shuffle percebi a diferença gritante entre suas produções, e acabei por sentir falta de 2009/10. E com uma idéia bem simplista, resolvi vir escrever.

Sei que estou entrando em um território muito perigoso, onde o chão é muito fino, prestes a quebrar e me fazer cair em uma depressão onde, bem no fundo, estão fãs da cantora prontos para me devorar. Sei disso. Mas sinceramente? Não me importo.

Antes mesmo de me aprofundar no meu pensamento e ser crucificado, é bom frisar que gosto da Lady Gaga. Já fui um fã, em uma época que a denominação “Little Monster” ainda não existia. Antes de “Bad Romance“; no começo da ascensão de “Just Dance” e “Poker Face“. Bem alí em 2009. Talvez 2008.

Fingindo que todos são ignorantes, Lady Gaga é uma cantora norte-americana de música pop. Loira, de apenas 28 anos e nova-iorquina da gema, a artista decolou no mundo de forma meteórica, arrastando multidões e formando fãs de uma forma assustadora.

Embora seus dois principais singles tenham sido lançados em 2008, Gaga só viu seu trabalho cair na boca do povo no ano seguinte. Juntos, “Just Dance” e “Poker Face” rapidamente se alastraram por todos o globo, ficando na cabeça das pessoas por meses a fio.

Foi a partir daí que a cantora começou a trabalhar pesado. Single após single. Clipe após clipe. Apresentação atrás de apresentação. Ela simplesmente não parava de trabalhar. Onde quer que estivesse ou o que quer que fizesse, Lady Gaga era simplesmente um sucesso. E com “s” maiúsculo!

É com esse mesmo sucesso que a compositora-cantora se firmou no mundo da música, lançando sucedidos trabalhos e lucrativas turnês mundiais. Cinco anos que passaram rápido e causaram uma grandiosa mudança no cenário musical, direta ou indiretamente.

Mesmo assim, ela não conseguiu fugir de um certo “esquecimento” pelo o lado do mundo. Se há alguns anos ela estava em todos os lugares, tocando em todas as rádios e na frente de todas as capas de revistas, hoje parece que Gaga simplesmente sumiu.

Aconteceu com ela algo que acontece com todos os artistas em um determinado ponto de suas carreiras, quando eles já atingiram o topo e não tem mais o que escalar. Parece que as pessoas, na maioria do tempo, simplesmente esqueceram que ela existe. E, querendo ou não, seu mais recentemente lançamento acaba por ilustrar isso.

ARTPOP“, um projeto mais “cru” de acordo com a própria, embora tenha ido bem nas paradas em suas primeiras semanas pós-lançamento, debutando em #1, rapidamente foi caindo até estar em uma posição que não interessava mais para sequer ser citada.

Em contrapartida, os singles extraídos deste trabalho não vingaram, nem no seu lançamento, nem após eles, com excessão do carro-chefe “Applause“, conseguindo chegar até o #4 da maior parada musical do mundo, a Billboard Hot 100, permanecendo no TOP10 por 14 semanas consecutivas.

O terceiro álbum de Gaga se diferencia muito do seu primogênito, em um milhão e meio de formas. Curiosamente é o que eu menos gosto. Toda sua sonoridade me parece um tanto pesada demais, barulhenta demais. Há músicas alí que eu simplesmente não consigo ouvir inteira sem sentir um formigamento no ouvido pela quantidade carregada de instrumentos e eletrônico. Embora, é claro, tenha outras que eu aprecio bastante.

Lady Gaga foi, de certa forma, bem experimental em cada um de seus álbuns. Enquanto o primeiro é bem pop, mirado para as paradas e para as rádios, o segundo mais dark e contraído, o terceiro é mais instrumentado e eletrônico. E talvez seja exatamente isso que fazem de suas músicas, para mim, na medida que os anos vão passando, mais difíceis de ouvir.

Sou um tremendo fã do “The Fame“, por inúmeros motivos. Sua sonoridade mais leve e sua voz mais limpa e natural se encaixam melhor aos meus ouvidos. É mais fácil encontrar beleza em seu primeiro lançamento, e mais prazeroso elogiar esse primeiro trabalho.

Minha paixão continua no lançamento posterior, com o “The Fame Monster“. O projeto um tanto mais dark era interessante, era pegajoso. Assim como o segundo álbum, “Born this Way“, que muito brincou com as narrativas bíblicas para construir suas letras e dar nomes às faixas.

Sentia prazer por ouvir determinadas músicas. No crepúsculo gostava de desligar todas as luzes da casa, aumentar o som e ouvir “Bloody Mary” ou “Americano“. Era simplesmente mágico, e eu podia sentir uma certa alegria consumir meu corpo. Eu realmente gostava, embora aqui eu já não sentisse mais tanta apreciação pelo trabalho de Gaga.

Meu amor pelo “Born this Way” durou algumas semanas. Talvez uns 3 ou 4 meses. Não mais. Depois fiquei cansado. Ela já não representava mais tanto assim pra mim. A agitação de ouvir a fio suas composições foram apenas com os anteriores. Foi aqui que um certo desinteresse começou a surgir.

Enquanto isso eu via mais fã surgirem. Via alguns amigos se apossuirem mais da Gaga. Enquanto eu a deixava de lado, outros faziam dela sua deusa. Assistia inúmeros novos “Little Monsters” saindo de seus ovos, unindo-se a uma fanbase bem distinta.

Era simplesmente engraçado e interessante. Todas aquelas pessoas morrendo de amores por Gaga quando eu já estava com preguiça de seguir cada um de seus passos na música.

Também era muito irritante. Enquanto sua “deusa” semeava constantemente o amor pelo próximo e um não a guerra verbal de ódio, muitos de seus fãs marcham, curiosamente, em um caminho completamente contrário.

Mas esse é um assunto para outra postagem.

Voltando ao ponto inicial.

Gaga amadureceu em seus trabalhos e cresceu, sim. E talvez eu esteja aqui falando exatamente que prefiro a versão mais ingênua e menos profissional. Sinto que, mais recentemente, as mudanças em Lady Gaga não se limitam só à sua sonoridade.

Sinto também que parecem haver duas Gaga diferentes. Uma mais solta, divertida e descompromissada, a de “The Fame“, e uma mais carregada e “pesada”, a de “ARTPOP“.

Nesse mesmo jogo fica claro, a meu ver, que o que era pra ser apenas um nome artístico acabou se tornando uma personagem. Fantástica e extraordinária, em todos os sentidos possíveis.

Embora a cantora seja um gênio e uma verdadeira visionária, além de uma pessoa simplesmente admirável e carismática (pelo menos, ao que parece através da mídia), há essa parte em que eu e ela não nos encaixamos mais. “ARTPOP” pode ter faixas excelentes e viciantes, mas “The Fame” representa demais uma era de ouro.

Há muitos “talvez” aqui e muitas probabilidades e chances. Pode ser que, para os fãs, essa é a Lady Gaga real e a outra é apenas um conto de fadas, e eu esteja dizendo que prefiro esse “Era uma vez”. Pode ser que hoje ela esteja vestindo as roupas de um personagem fictício e anteriormente ela foi mais genuína, me fazendo apreciar mais o passado. Talvez seja muita coisa. Mas que para mim a de antes é mais apreciável, isso é um fato. E, por enquanto, não achei algo que mude minha opinião.

4 Pensamentos para “Lady Gaga: nostalgia de um dia que não volta mais”

  1. Você escreve muito bem sim, moço, não ligue para o recalque…

    Sobre a Gaga, concordo plenamente com você. Parece que ela se perdeu no caminho… Quem sabe um dia volte a ser a Gaga de antes…

    1. Pois é. Acho que ela acabou se perdendo no meio da própria personagem que ela criou. Mas ultimamente ela anda bastante incrível, e mostrando que o talento dela é bem mais abrangente. Agora é esperar pra ver se o próximo álbum vai seguir um caminho desse último álbum, ou se ela vai tentar algo “diferente”…

  2. Vou te dizer uma coisa. Vc escreve MUITO mal. Caguei pra Gaga. Mas seu blog durar CINCO ANOS? Fala sério. Vc nem sabe a diferença entre “distingue” e “distingui”, não sabe o que escreve “houve músicas da Gaga que eu gostei, claro” Claro pq? Qualquer um pode gostar de TODAS as músicas. Ou de NENHUMA. Enfim, ridículo! Certamente vc mal sabe ler. Se lê, é livro de autp-ajuda ou Paulo Coelho, enfim, merda! Vá ler uma Machado de Assis, um Gabriel Garcia Marques, Dostoiéwsky. Shakespeare. Por favor. Ou pare de escrever. Pq vc é PÉSSIMO! E sabe disso!

    1. Quanto rancor, amigo… Bem, eu nunca li Paulo Coelho e sequer passei por uma seção de auto-ajuda, mas pelo jeito você já andou lendo algum desses livros, não é mesmo? Pra falar que é “merda”, você já deve ter lido, pra poder falar com, pelo menos, um pouco de propriedade. E eu já li Machado, três obras e alguns contos. E “O Amor nos Tempos do Cólera” é simplesmente uma paixão; o outro eu não conheço, infelizmente. Quanto a Shakespeare, já li algumas coisas também, inclusive já fiz “Romeu e Julieta” na escola. E quando a ser “péssimo” e “saber”, as oportunidades já me provaram o contrário.
      Tente não carregar tanto rancor assim, querido. Uma boa tarde!

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