“Esquadrão Suicida” chega a entreter, mas sofre nas mãos da Warner Bros.

Já não é mistério para ninguém que a Warner Bros., em parceria com a DC Comics, está em uma empreitada em construir um Universo Compartilhado/Estendido/Expandido para seus personagens, e, assim, reaver o tempo (e espaço) perdido com a popularização do Universo Marvel, tanto pela Fox quanto pela Disney.

Também não deve ser mistério para ninguém que essa vem sendo uma empreitada conturbada e não muito bem recebida pelas críticas, como já comentado aqui e aqui. Infelizmente, o terceiro “capítulo” da DCCU (Universo Cinematográfico da DC, em tradução literal) não conseguiu fugir da má sorte, transformando Esquadrão Suicida em mais uma vítima do conturbado mundo compartilhado da DC.

Após a aparição do Superman, a agente Amanda Waller (Viola Davis) está convencida que o governo americano precisa ter sua própria equipe de metahumanos, para combater possíveis ameaças. Para tanto ela cria o projeto do Esquadrão Suicida, onde perigosos vilões encarcerados são obrigados a executar missões a mando do governo. Caso sejam bem-sucedidos, eles têm suas penas abreviadas em 10 anos. Caso contrário, simplesmente morrem. O grupo é autorizado pelo governo após o súbito ataque de Magia (Cara Delevingne), uma das “convocadas” por Amanda, que se volta contra ela. Desta forma, Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Beach) são convocados para a missão. Paralelamente, o Coringa (Jared Leto) aproveita a oportunidade para tentar resgatar o amor de sua vida: Arlequina. [AdoroCinema]

*Zona livre de spoilers.*

Se você viu Esquadrão Suicida, sabe muito bem que o filme tem sérios problemas, mais uma vez, de edição, que por sua vez trazem problemas para a construção de história e de personagens. E, pela segunda vez consecutiva, podemos atribuir essa culpa à Warner, e suas decisões que visam “agradar o público”, mas tem o efeito totalmente contrário.

Mesmo com todos os problemas, acredito que o filme consegue entreter o telespectador. Chega a ser divertido, embora em grande parte da película o filme seja confuso. Afinal, temos a presença da talentosa Margot Robbie como Harley Quinn (Arlequina, no Brasil), em um atuação de dar orgulho. A atriz entrega uma personagem muito bem construída e divertida, com seus excessos de loucura e problemas psicológicos, cheia de tiques e uma voz bem marcante.

A caracterização da Harley é o ponto mais alto do filme, facilmente se tornando a melhor coisa que o Esquadrão trouxe. A força de Arlequina é tão grande, que há rumores, esperando uma confirmação oficial, de que Margot negociou com a Warner um filme onde sua personagem estrela, e outro em que Harley irá dividir os holofotes com outras personagens femininas da DC.

Logo em seguida, a personagem que também ganha bastante espaço em tela para se desenvolver é o Pistoleiro, interpretado por Will Smith. Ainda que Floyd Lawton tenha tido sua personalidade mais humanizada dentro do filme, tendo o amor por sua filha utilizado como arma de manipulação, o Pistoleiro não chega a decepcionar. Ele é, claramente, o capitão do time (ainda que tenha outro personagem com Capitão no nome), servindo como um ponto decisor de como o Esquadrão vai proceder: devemos ajudar ou apenas devemos fugir, assim que a oportunidade aparecer?

Infelizmente, esses são os únicos dois personagens que realmente ganham um desenvolvimento, colocando o outros membros do grupo como coadjuvantes, servindo seus propósitos na medida em que eles aparecem. Rick Flag (Joel Kinnaman) aparece bastante, sim, mas tem uma história que não chega a ser muito interessante ou bem construída. El Diablo (Jay Hernandez), embora se torne de grande importância para a equipe, só vem a ter seu background explorado no ato final do filme, tarde demais.

Do outro lado, os personagens de Jai Courtney (Capitão Bumerangue), Adewale Akinnuoye-Agbaje (Crocodilo) e Karen Fukuhara (Katana) são quase que completamente esquecidos, sem qualquer tipo de desenvolvimento ou espaço para que o telespectador possa se sentir conectado com a personagem. Sim, é verdade que todos eles ganham um momento para mostrar suas habilidades (ou um grande momento cômico, como o caso do unicórnio), mas é isso. Puf. Eles acaba sendo sub-aproveitados.

Do fundo pra frente, da esquerda pra direita: Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Rick Flag (Joel Kinnaman), Pistoleiro (Will Smith), Harley Quinn (Margot Robbie), Katana (Karen Fukuhara) e Capitão Bumerangue (Jai Courtney).

E então temos os outros personagens, afinal, o filme não é feito apenas pelo Esquadrão.

Se a Magia (Cara Delvigne) não consegue ser uma vilã interessante para manter os olhos curiosos, perdendo não só história como espaço em tela e não tendo seus motivos bem explicados, Amanda Waller (Viola Davis) consegue tomar esse lugar sem fazer muito esforço.

A personagem é bastante fria e calculista, sem um pingo de remorso e compaixão dentro de si, capaz de fazer qualquer coisa para ter êxito em seus planos. Ela irá se aliar com quem for preciso para permanecer viva e atingir seus objetivos, e não é só porque ela ficou vulnerável em um momento que, de repente, irá ter seu coração amolecido.

Mas no meio de tantos personagens poucos aproveitados e cenas cortadas dando uma impressão de sequências aleatórias, nada consegue ser tão decepcionante quanto a participação de Jared Leto como o Palhaço do Crime. E eu não falo, necessariamente, por conta de sua atuação.

Imagem promocional do Coringa (Jared Leto).

Veja só, o filme tinha um corte “final” de 2h45, que foi diminuído para chegar aos cinemas com “apenas” 2h. São 45 minutos de filme perdidos, sem qualquer motivo (afinal, BvS tem 2h30). Se a narrativa da história sofreu com isso, fazendo com que a produção ficasse menos interessante e fosse recebido de forma bastante negativa pela crítica, outros personagens também sofreram. E o Coringa parece ter sido o mais afetado.

Jared é pouquíssimo explorado, e suas cenas são únicas e exclusivamente ao lado de Margot (com excessão de uma), não tendo espaço hábil para a sua personagem se desenvolver. Em determinado momento, parecem haver dois Palhaços: um meio gangster (a cena da boate), e outro mais psicopata contido (menos sádico e “palhaço”), e você não tem muita certeza do que achar.

Como se não fosse suficiente, muitas cenas que estavam presentes no trailer foram cortadas, e o Coringa acabou tornando-se apenas um “apetrecho” para Harley.

Se de fato houver um Esquadrão Suicida 2 ou até mesmo a participação do Coringa em outros filmes da DC, a película em questão precisa saber aproveitar melhor Leto. Sabemos que ele é um bom ator, e sabemos muito bem que ele sabe entrar em seu personagem.

Não faltaram elogios a sua caracterização durante as filmagens, ou notícias de suas excentricidades, ou um enorme buzz em volta da sua versão co Coringa, então porque entregar bem menos do que foi prometido?


O filme chega a entreter e ser bastante divertido, principalmente por conta da presença da Harley, mas é impossível negar que Esquadrão Suicida sofre bastante com os cortes e sua história final, que se torna acelerada e editada, faltando muitos pedaços (45 minutos de filme, no mínimo!), tendo sido apresentados no trailer ou não.

Ao mesmo tempo, a Warner Bros. precisa deixar a DC seguir em frente sozinha, e interferir onde e quando for realmente preciso, não deliberadamente como vem acontecendo. É a segunda vez consecutiva que isso acontece. Será que eles não conseguem perceber que o plano está saindo pela culatra, e que a “contingência” deles para o filme não “flopar” está tendo o efeito contrário? O mundo inteiro percebeu. E isso está custando bastante a Warner, por mais que eles dizem “estar felizes” com a resposta do público.

Convenhamos, vocês querem lançar um filme que chegue a 1 bilhão de dólares em arrecadação, que a bilheteria não sofra tanta queda da primeira para a segunda semana, e, principalmente, que eles sejam bem recebidos pela crítica especializada. E se os filmes do Batman do Christopher Nolan podem ter mais de 2h30 de duração, porque os filmes da DCCU também não podem? Não dá pra ficar lançando “Versão Definitiva” buscando redenção o tempo inteiro, não é mesmo? Faça isso com Esquadrão Suicida (rs), mas que seja a ultima vez.

E, por favor, POR FAVOR, percebam a merda antes de Mulher Maravilha receber o último corte. Não sei se consigo viver em um mundo onde Diana Prince não recebeu um bom filme SÓ porque vocês, da Warner, estavam com medo da resposta, meteram o dedo onde não foram chamado, e ferraram (MAIS UM) o filme. Se não, vocês já sabem…

“Eu só vou te machucar [muito, muito mesmo]”

Obrigado.

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