A redenção em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça – Edição Definitiva”

Aqueles que leram a minha ~crítica~ sobre Batman vs Superman, viram muito claramente a minha relutância para com a Edição Definitiva (Ultimate Edition, lá fora) do filme. Eu não conseguia ver como “apenas” 30 minutos poderiam acrescentar (e, na melhor das situações, até mesmo mudar) na minha visão, principalmente quando você para para pensar que esses adicionais estariam distribuídos ao longo de 2h30 de filme, e podiam muito bem apenas ser cenas já existentes que apenas foram estendidas. Porém, eu não poderia estar mais errado.

Fazendo uma breve recapitulação: quando BvS foi lançado, o filme sofreu bastante com as críticas (apenas 27% de aceitação da especializada), principalmente pelos furos de roteiro/cortes que o filme sofreu em sua edição final, resultado da mão colocada pela Warner Bros. nos momentos finais (convenhamos). Eventualmente, foi anunciado que a produção ganharia uma versão do direito Zack Snyder, com classificação para maiores e trinta minutos de cenas adicionais, que vinham afim de corrigir o “erro” da versão que foi aos cinemas.

Há aqueles que digam que a mudança que as cenas adicionais fizeram ao filme não foi tão grandiosa assim, e/ou que isso é puro fanboyismo. E, se este for o caso, então eu vou carregar esse título com orgulho, porque a Edição Definitiva não só conseguiu acrescentar na minha visão, mas também muda-la (para um patamar ainda melhor).

O confronto entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon) em Metrópolis fez com que a população mundial se dividisse acerca da existência de extra-terrestres na Terra. Enquanto muitos consideram o Superman como um novo deus, há aqueles que consideram extremamente perigoso que haja um ser tão poderoso sem qualquer tipo de controle. Bruce Wayne (Ben Affleck) é um dos que acreditam nesta segunda hipótese. Sob o manto de um Batman violento e obcecado, ele investiga o laboratório de Lex Luthor (Jesse Eisenberg), que descobriu uma pedra verde que consegue eliminar e enfraquecer os filhos de Krypton. [AdoroCinema]

*Zona com levíssimos spoilers.*

Apesar de todos os problemas que a produção trouxe consigo, eu me considero um fã da película. Particularmente, eu gosto bastante desse Homem de Aço. Foi o primeiro que eu vi nos cinemas, curioso pela essa nova versão, e também tentando quebrar a extrema aversão que eu tinha com os Super Homens do cinema, seja o Christopher Reeve ou o Brandon Routh carregando o S no peito.

Visualmente, o Clark Kent de Henry Cavill apelou muito para o meu gosto, e trouxe um novo lado para o personagem, seja em questão de cores, tom ou abordagem. As escolhas ousadas feitas por Zack Snyder durante a produção me fizeram respeitá-lo, principalmente no que se trata ao momento final da batalha entre o Superman e o General Zod (Michael Shannon). Na minha humilde opinião, a escolha não poderia ter sido melhor.

De brinde, o filme ainda trouxe uma Krypton que é simplesmente a melhor visão já abordada do extinto planeta, o que me fez desesperadamente querer por alguma extensão daquele universo, daquele mesmo jeito (e que, diga-se de passagem, foram atendidas pelo canal SyFy!).

Portanto, quando BvS foi anunciado e lançado, eu já tinha uma visão bastante consolidada do que eu gostava. Naturalmente, eu já não esperava um momento ultra épico da batalha entre os dois heróis, considerando a história de “amor-e-ódio” que os dois tem. Somado a isso, a produção ainda tinha um duplo-trunfo gigantesco: a aparição, pela primeira vez na história do cinema, da Mulher Maravilha, a minha personagem dos quadrinhos favorita (homem ou mulher), interpretada pela belíssima Gal Gadot.

Wonder F Woman

Como já comentado, o grande problema que o filme trazia consigo era, de longe, o corte final. A primeira edição (aquela apresentada aos executivos da Warner) tinha cerca de 4h (!) de duração, tendo sido reduzido para os cinemas para 2h30. Então, já era de imaginar que o filme sofreria bastante, com 1h30 de película descartada.

Assim, o primeiro ato do filme foi construído do fragmento de várias cenas, afim de estabelecer arcos e apresentar não só o Ben Affleck como Bruce Wayne/Batman, mas também o Lex Luthor (Jesse Eisenberg) e as preparações iniciais que o magnata estava fazendo afim de manipular todos ao seu redor. A produção só começa a se entrelaçar e fazer mais sentido lá pra mais de uma hora de duração, no seu segundo ato, mas deixa alguns questionamentos em aberto (por exemplo, como o Homem de Aço acabou sendo o culpado pela morte de uma população que foi assassinada a tiros).

Imagem da capa norte-americana da Edição Definitiva.

Os trinta minutos adicionais apresentados na Edição Definitiva trouxeram uma nova luz a produção, fazendo a apresentação decente de personagens “easter eggs” (RIP Jimmy Olsen) e reintroduzindo arcos que faziam parte do cunho político da história, e traziam mais sentido para os bastidores tanto do jogo de gato e rato entre o Batman e o Superman, como a busca de poder e vantagem de Lex Luthor sobre a Senadora Finch (Holly Hunter).

O arco em questão é o da personagem Kahina Ziri (Wunmi Mosaku), que ganha uma porção de cenas depois de ter sido cortada quase que por completo da versão dos cinemas. Com a sua família sendo ameaçada por um dos mercenários pessoais contratados por Luthor, Kahina era o grande trunfo oculto no jogo de manipulação de Lex, utilizada para contar uma falsa história cujo único propósito era colocar o Superman no centro de uma dúvida mortal: se ele de fato for um deus, seu poder deve ser prestigiado ou temido?

Com a semente plantada, era uma questão de oportunidade até que o Superman fosse fortemente questionado pela humanidade, tornando-se um divisor de opiniões e colocando em pauta questões políticas, como o que dizia sobre a sua permanência na Terra e se ele deveria ou não responder à uma força maior (no caso, o governo norte-americano).

Em outras porções menores, há cenas adicionais que incrementam na reação de Bruce com a batalha Superman/Zod ou uma explicação mais fluida entre o sonho de Bruce, o Flash do Futuro, e o que são e como as Caixas Maternas se encaixam na narrativa, todas histórias relacionadas ao Darkseid, que tudo indica ser vilão-mor da franquia Liga da Justiça.

Imagem promocional do filme “Liga da Justiça”, com a formação inicial da Liga nos cinemas.

Porém, o que realmente marca além de Kahina Ziri é a cena final. Na versão Definitiva, há um “final diferente”. No cinema, Lex é mandado para a prisão, e recebe a visita de Batman. Sem mostrar nenhum medo do Morcego, Lex continua a se vangloriar, afirmando que ele não servirá nenhum tempo na prisão, por conta de seus problemas psiquiátricos. Na extensão, Batman confirma o que Luthor falou, mas guarda uma deliciosa surpresa: ele garantiu que Lex seria mandando para nada mais nada menos que o Asilo Arkham, centro de grandiosos arcos e histórias do universo Batman, e lar de importantes bat-vilões.

O final adicional não funciona apenas para servir como um easter egg aos fãs, mas também para criar um vínculo narrativo entre BvS e o então vindouro Esquadrão Suicida. A equipe d’Os “Piores Vilões da História” tem um famoso arco envolvendo Arkham, não só no jogo Batman: Arkham Asylum, mas principalmente na animação Batman: Ataque ao Arkham.

“Eu amo! Eu amo reunir pessoas!”

Se você assistiu Batman vs Superman e não gostou do que viu, dê uma oportunidade à Edição Definitiva e pode ser que você mude de ideia. Se você não viu por conta das críticas, pule de uma vez para o corte de 3h. Se você viu e gostou, então o que está faltando? Se você já viu, algo a adicionar?

2 Pensamentos para “A redenção em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça – Edição Definitiva””

  1. Superman tenta argumentar com Batman, revelando que sabe seus segredos, mas isso leva a uma luta em que Batman enfraquece Superman com kriptonita e quase o mata com a lanca.

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