A peculiar singularidade de Sia

Em um mundo onde Lady Gaga existe, tudo é possível. Roupas extravagantes, perucas coloridas, saltos estratosféricos. De tudo se vê e de tudo se fala. É quase impossível não comentar aqui e alí sobre as peculiaridades da norte-americana, que faz de tudo (e mais um pouco) para chamar a atenção do público e de toda a mídia.

É neste mesmo mundo que centenas de milhares de pessoas sonham em ser famosas. Ver suas caras estampadas em inúmeras revistas na banca, suas fotos espalhadas pela internet e sua imagem circulando nos ônibus e outdoors. É o sonho de incontáveis seres humanos espalhado por todo o globo. É o sonho de muita gente, menos uma.

Sia Furler é uma australiana de 38 anos de idade. Uma mulher com 1,63m de altura, andando pra lá e pra cá em um cabelo quase Chanel na altura do pescoço, loiro ou meio-branco. Uma mulher que além de cantora e compositora, é famosa. Uma mulher que além de famosa, é anti-fama.

É possível que você não conheça Sia por nome. Mas pode apostar todas as suas fichas que você sabe quem ela é. Tendo postagens no blog aqui, aqui e aqui, a australiana é famosa por suas habilidades com o papel, embora arrisque o microfone várias vezes.

Furler é dona de vários hits mundiais, além de já ter participado de algum deles.  Você já deve ter ouvido a cantora entoar alguns versos em Wild One, do rapper Flo Rida. Ou, mais provável ainda, em Titanium, do DJ francês David Guetta. Foi ela, por exemplo, quem escreveu para Rihanna a música Diamonds, parte do álbum Unapologetic.

Como compositora, ela é bastante requisitada nos bastidores da música, entrando não apenas na hora de escrever mas também na hora de produzir, ficando a exemplo seus trabalhos com artistas como Beyoncé, Britney Spears, Christina Aguilera, Shakira, Jennifer Lopez, Kylie Minogue e Celine Dion, todas essas em seus mais recentes álbuns.

Da esquerda pra direita, de cima pra baixo: Sia com Christina Aguilera, Jennifer Lopez, Kylie Minogue e Celine Dion.

Embora boa parte de sua fortuna seja feita no sofá de sua casa e em poucos minutos (de acordo com a própria, Titanium foi escrita em 40 minutos enquanto que Wild Ones, levou 15), a compositora-cantora também já tirou alguns bons trocados com os seus cinco álbuns de trabalho, sendo We Are Born o mais famoso até então, lançado em 2010.

É aqui, neste exato ponto, que começa a divergência de Sia. É bem aqui que a australiana de Adelaide se torna singular. Sia é famosa. Não tem como negar. Talvez não para você, talvez não de uma forma global como Beyoncé, mas é.

Se você abrir o seu navegador e googlar o nome da cantora, algumas imagens vão aparecer. Muitas delas iguais e a grande maioria de no mínimo cinco anos atrás. Se você procurar pelos ensaios fotográficos, poucos serão achados. Sia é famosa e ainda sim, anti-fama.

Neste ponto, você se pergunta “como assim?”.

Furler sempre foi muito peculiar sobre o uso de sua imagem. Já faz um tempinho desde que ela deixou de aparecer em público ou mostrar-se diantes à câmeras. Furler sempre foi bastante contida nesse assunto, e seu controle absoluto ao uso de imagem apenas reforça isso.

No começo do ano, Sia cedeu uma entrevista à revista The New York Times, falando sobre seu novo projeto, o “1000 Forms of Fear“, lançado em solo estadunidense ontem. Para ilustrar a matéria-entrevista, um desenho da cantora foi utilizado.

No ano passado, para a Billboard norte-americana, Furler foi a capa da edição de fevereiro. A australiana aceitou fotografar, mas tinha um porém: iria usar um saco de papel na cabeça. Com o objeto tapando toda sua cara, a capa trazia a seguinte frase escrita no saco: “Esse artista é responsável por mais de 12 milhões de faixas vendidas, tem um novo single na trilha sonora de ‘Jogos Vorazes’ e NÃO quer ser famosa“.

Essa peculiaridade não se restringe apenas à fotos, mas também ao vivo. Sia tem feito algumas apresentações para promover seu novo trabalho, e em cada uma delas ela tem cantado virada de costas para o público enquanto dançarinos encenam suas músicas.

Tal ato tem gerado uma acentuada divisão de opiniões entre o público. Há aqueles que entendem e conhecem a posição de Sia e o por quê ela faz o que está fazendo, mas há outros que são completamente contra, sabendo ou não dos motivos, afirmando que tal coisa é uma total falta de respeito. Mas seria mesmo?

Sia já se mostrou contra todo esse mercado de imagem por motivos  bem simples: foi essa mesma exposição e constante pressão do público que fez ela se viciar em bebidas e remédios, tendo que ir à reabilitação e se curar.

Em seu manifesto anti-fama, ela é bastante clara quanto a tudo isso. Por escrever músicas para grandes nomes da música mundial, Sia “participa” desse mercado voraz que está sedento em saber de tudo da vida dos artistas. A cantora até faz uma analogia com a imagem esteriotipada das sogras, que ganham a fama de estar o tempo todo querendo sabotar a vida amorosa de seus filhos.

O que dói ainda mais para Sia é o fato da maioria dessas pessoas que estão degradando seu trabalho são adolescentes com acesso à internet que só pelo o fato de terem um teclado e estarem no anonimato acham que são especialistas em tudo e por isso podem dizer o que bem entenderem e o que bem quiserem, sem se preocupar com as consequências que suas opinião não-fundamentadas vão causar.

E o pior de tudo isso? É que Sia está coberta pela razão. Qualquer um sabe como as pessoas são cruéis e acham que sabem tudo e podem julgar tudo só porque estão na posse de um teclado. E sendo assim, nada mais justo de fazer o que ela está fazendo.

O mercado da música já é foraz por sí só, e fica ainda pior com essas “sogras”.  Se Sia mostrar ou não sua cara para o público, isso é uma decisão dela. Afinal, é a própria imagem.

Particularmente acho a atual atitude de Sia algo completamente genial e apoio-a 100%. Não mostrar a cara nas performances ou usar um saco de papel na cabeça dá até um toque pessoal e especial à sua causa, mesmo que seja possível que tal coisa acabe criando o efeito contrário, dando à Sia mais fama do que antes.

Um pensamento para “A peculiar singularidade de Sia”

  1. Bem , os jovens de hj acham que pode julgar e xingar quem quiser. Sia e uma diva, se ela acha que tampando o rosto cm um saco ou uma lixeira muda isso , difícil Pq fà que e faã escolhe cantores denqualidades, cantores de atitude, cantores ousados, eu a adimiro e tudo que ela faz me deixa mais próximo dela . Amo as músicas , o estilo único dela, amo o jeito dela, ela e incrível , brincalhona , sinsera , e muito inteligente, tudo que ela faz me encanta, desde da jogado do cabelo até o sorriso extravagante , e cantor assim difícil encontrar em qualquer esquina , enquanto eu viver , vou continuar a seguindo e admirando, e um dia estarei frente a frente com essa figura. Amo de mais. Sia Furler .

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